Aquele dia tinha tudo pra ser apenas mais uma sexta feira com meu paquera/fuck friend/ficante de sempre, o Marcos. Até ele chegar em casa com a fatídica pizza de pepperoni.
“Nanna, mas o que isso tem de ruim?”
- Nada, caros amigos. Eu amo pizza de pepperoni.
Mas eu estava de dieta, e exagerada que sou, passei o dia praticamente em jejum. O estômago já estava calejado de ficar vazio, ignorando a grande possibilidade do surgimento de uma gastrite.
Senti aquele cheiro maravilhoso de pizza no ar, e não tive dúvidas: iria quebrar meu jejum. Com gosto. Com a fome de mil crianças africanas.
Cara, que delícia de pizza. Não sei se era a fome, o azeite, a companhia ou se a pizza estava realmente beirando a perfeição.
“Tá… E o que esse tal de Marcos fez? Jogou a pizza na sua cara?”
- Não, galera. Dessa vez, a protagonista da ex’crotice fui eu mesma.
Como mencionei, meu estômago estava assustadoramente vazio. Cada pedaço de pizzaera uma facada na barriga. Foi pedaço atrás de pedaço, e a coisa foi ficando difícil de aguentar. Dei uma pausa, tomei uma água.
- Nanna, você tá quieta… - disse Marcos
- Ah, é a fome, hihihihi - respondi
A dor estava ficando insuportável. Sentia que tinha algo me machucando, e aquilo precisava sair de mim. Após raciocinar, calcular e medir as possibilidades, concluí o óbvio: eu ia vomitar.
Mas… Como? No banheiro seria impossível. Moro num apartamento minúsculo, e certamente Marcos ouviria meus urros.
A dor aumentou. Engoli a seco.
- Ai, acho que a vizinha está me chamando. Já venho! - e saí da minha casa, em passos largos.
Não conseguia pensar. Não dava mais pra segurar. Abri o portão da frente do meu prédio e vomitei. Vomitei tão feliz, tão bem, tão segura de mim… E a dor passou.
Voltei para o meu apartamento, fui direto para o banheiro e escovei os dentes, tentando tirar quaisquer vestígio suspeito de mim.
Ele nem desconfiou. E eu ainda terminei meu pedaço de pizza like a boss.
